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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O dia de uma família feliz

As pequenas discussões foram se acumulando, naquela casa já não havia mais um copo de vidro sequer visto que todos foram livremente arremessados contra a parede.
Mami preparava o almoço, um simples arroz com feijão com uma pitada de veneno de rato. Tinha lido nas revistas que o veneno é poderoso em poucas doses, então tinha esperanças de que Papi, seu marido, um dia caísse duro no chão.
Enquanto Papi se divertia com os filhos ensinando os palavrões mais sujos e lhes dando bofetadas se a entonação das palavras não saísse da maneira que propusera, Mami continuava temperando a sua bela refeição.

_ Meu amor, eu vou tomar um banho rápido, e quando terminar quero o meu prato na mesa!

_ Tudo bem meu querido.

Papi foi tomar seu banho. Mami arrumava a mesa e colocava as crianças em suas devidas cadeiras.

Eis que o marido surge, todo molhado e cheio de xampu pelo cabelo e sabão pelo corpo:

_ Sua desgraçada, você não consertou o chuveiro até hoje, e cadê a minha comida? Já era pra estar na mesa!!!

Papi pega seu prato e desliza sobre o chão molhado até o fogão para se servir.
_ Esta comida está uma droga! Viu o que você fez? Tem sabão no meu feijão, a senhora vai comer isso agora!

_ Eu não vou comer nada, foi você mesmo quem colocou o sabão no seu prato.

E Papi com o prato na mão aproxima- se de Mami regado de fúria. As crianças se deliciavam com a cena, nunca tinha visto uma brincadeira tão sensacional como aquela.

_ Você vai comer isso agora! Papi gritava com fúria.

_ Sabe por que eu não vou comer isso?

_ Hnn?

_ Porque tem sabão nos seus olhos!

E rapidamente Mami esfrega a mão na cara de Papi enchendo seus olhos de sabão. Papi não saía do chão pois gritava de dor e ao tentar se levantar era surpreendido por vários escorregões.
As crianças aplaudiam e gritavam “Mami, você é a melhor!!!”
Mami pega a o prato sujo de sabão do chão e o coloca na pia.

_ Meus anjinhos chega de algazarra, Mami está muito ocupada hoje e precisa que vocês terminem logo esta refeição, já está quase na hora do colégio.

Um bom começo de dia para uma família feliz.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Esse Texto É:

Incoerente

Disléxico

Estupidamente prepotente

Em cada verso


Um afresco pueril

Pintando cada impasse

Com azul-borracha

Apagando o guache


Ao Contrário

Deliciosamente irônico

Entre os espaços


.


.

Incompreensível?!


Agradeço somente aos ventos que passaram por minha pele,

ao tempo que não cessa um minuto tirando o restante de vida que ainda me restam,

aos restos do comida indigestos alimentando os indigentes,

aos venenos que alucinam os bitolados nas noites de sábado,

a minha carne macia e a todos que dela experimentaram,

as doenças do sexo e do sangue,

a todos os pedestres caminhando cegos nas ruas,

aos ouvintes,

aos leitores,

aos sentidos ausentes.


Um abraço!


(Athila Goyaz)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Acredite


Por mais absurdo

Por mais irreal

Contra as leis da natureza

Não perca suas noites

Para esquecer o passado

Tenha vontade de corresponder às suas expectativas

Porque você é encantador

Trate com cinismo o ódio

E o ódio com indiferença

Embora não conheça seu rosto

Seja sentimento por excelência

Retorne os pedidos de perdão

Aceite suas derrotas

Vibre em suas vitórias

Em dado momento

Quando começares a entender

Já estará livre

Não precisará de explicações

Acredite!

Amigos, muito obrigado a todos que passaram por aqui durante esse ano. Fico muito feliz em saber que posso contar com vocês em todos os momentos e em cada verso. Muito obrigado mesmo por me "ouvirem".

Que todos tenham um 2010 Iluminado!

De coração,

Athila Goyaz

domingo, 27 de dezembro de 2009

Passado


Naqueles dias

As carícias percorriam o meu caminho

Mas agora

Tudo enferruja a nossa cama

Cada par que se deitou estava

Um a mais a acrescentar à mesa

E isso me doía

Na tempestade

Os dentes crescem afiados

Mastigando os seus bilhetes

Desbotando os dizeres

As palavras não se defendem

Te vejo somente entregue

Quando na calmaria
O seu lábio mais dopante

Percorre bem leve

A minha fisionomia
Classe dos tranqüilizantes

Pois agora

Serás só naqueles dias

Onde o ontem era atrás

E o amor foi alegria


quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Viver




Você pode escolher levar diversos tipos de vida.
O menu é vasto pra você.
E a entrega é imediata.

Você pode escolher ser um imitador.
Ou um original criativo.

Pode escolher ser um escravo do sistema.
Ou um questionador inquieto das verdades que te jogam.

Pode escolher acreditar que o que você é, é algo nascido e imutável.
Ou um revolucionário da própria personalidade.

Pode escolher usar a desculpa de que a vida é passageira e que deve aproveitá-la ao máximo.
Ou pode pensar também que ela não acaba aqui, e que ações atuais refletirão para o futuro.

A verdade é que todos precisamos desesperadamente de uma coisa:
De saber identificar que não somos frutos do acaso,
Explosões gigantes inesperadas não geram algo tão complexo como você.
Usar a inteligência ocular para cobrir algo que não podemos explicar é tolice.
Sem fé, não há ser humano. Sim. Todos temos fé.

Quando você acorda pela manhã e segue até o banheiro para cuidar da higiene pessoal, você está usando fé.
Quando você almoça, discute com a família, ou se diverte com amigos, você está sendo crédulo.
Quando você vai pra faculdade, assiste às aulas, e faz todos aqueles trabalhos chatos, você está sendo um fanático.
Fé é isso. É simplesmente acreditar em algo não visto, ou ainda não acontecido. Ela é tão banal quanto pensar. Não conseguimos apertar "pause" e pará-la.
Você tem tanta fé quanto um fanático religioso e a está usando diariamente.

A fé é um dos presentes que ganhamos desde o nascimento. É um dos componentes que veio junto com o kit chamado alma.
Imagine que te premiaram com uma pedra preciosa valiosíssima. Mas ao invés de te darem descaradamente, colocaram-na dentro do seu tênis. Você calçou às pressas e foi pra vida. Nem percebeu.
E assim você seguiu sua rotina. Passsou dificuldades financeiras, teve empregos horríveis, salários mínimos(literalmente), se endividou diversas vezes.
Foi assim até o último suspiro. Morreu. E foi enterreado com seu tênis lá. Intacto. E com você, a pedra tornou-se pó. Desperdício.

Bem, não estou dando lição de moral. Nem tenho exemplos pra isso. Mas lembre-se do tênis.
Só estou pedindo pra se desamarrar de tudo o que te prende ao pior. E se descalçar para Aquele que é realmente digno. Pense nisso como troca de favores. Ele te deu a pedra, afinal.

Athila, te amo como um verdadeiro irmão.
Você é o melhor amigo de toda a face da terra.

Stéfano.