quinta-feira, 29 de agosto de 2013

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Dando-te a lua (Te dando a lua)

Pra começar essa letra não é minha, eu não sei de quem é. Uma pessoa muito querida me pediu que eu a musicasse. Tem tempo já que "engavetei" essa canção, mas resolvi postar aqui, pois ela faz parte de um momento muito marcante que vivenciei. J.P Cuenca tinha razão ao dizer que " O único final feliz para uma história de amor é um acidente". Sigamos.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

A segunda loucura

Deixa relembrar os fatos. Os fatos sempre estarão dispostos em ordem aleatória, pois como fatos, se perceberá as evidências da cronologia apresentada, restando somente aquilo que a memória borda. O deslumbramento das cenas salivando. Lembro-me de quando presenciei a minha segunda loucura. A primeira não será aqui discutida, visto que endireitei-me logo; creio que se esta (primeira) for versada não dará compasso ao que vai ser dito agora, por isso a deixemos de lado. Agora lembro-me da segunda. Foi há alguns meses atrás. E tudo aquilo começou de uma maneira muito estranha, enraizada e certeira. Estranha e sendo mais impaciente: como a loucura não seria devidamente esquisita? Portanto com a resposta na ponta da língua vamos aos fatos: Estava eu em casa, ajeitando o olhar em alguma literatura enquanto esperava o sono chegar. De fato ocorreu que dormi. Quando acordei notei que meu irmão alisava mansamente meus cabelos, ele preocupava-se com meu estado; eu, que parecia perturbado, não com a situação de acalanto que ele produzia, mas sim com a chuva e os trovões lá fora que infestavam a casa de luzes e formas. O tempo estava confuso. Fazia dois dias que chovia daquela forma, as antenas não captavam sinal algum, e o rádio estava quebrado. Limitava-me a ver fitas antigas no videocassete e a ouvir ininterruptamente os turbilhões e relâmpagos que jaziam lá fora. Lembrei-me de que havia arranjado um número de telefone para emergências, e uma voz me dizia que este era o único número capaz de ter para poder se fazer algum desabafo; eu que nunca tive amigos para tal façanha, liguei. Esperei até que a música de telemarketing cessasse e fui atendido. Eu disse que queria ajuda, que precisava conversar com alguém sobre minha vida. A voz do telemarketing disse pra me acalmar, que logo minha angústia passaria . Não dei crédito ao informante de telemarketing e desliguei o telefone, naquela hora ouvir a voz de um estranho não ajudaria a compor minha sanidade; pensei, que número ingrato. Fiquei atordoado, então abri minha caixinha de remédios, onde nela se encontravam mais de 5 mil reais, além das medicações psicotrópicas devidamente com suas posologias – deixo bem claro que não sou adepto de bancos, por isso guardo meu dinheiro em lugares secretos e inimagináveis, é o mais adequado para uma pessoa perturbada ter tudo em suas mãos, acidentes acontecem e eles não saem barato. Enquanto a tv estava ligada junto ao videocassete, admirava na tela o filme que passava, o close de uma mão feminina, aquelas mãos com brilhantes, o sangue na tela. Olho para os dedos e vejo um anel, não uma aliança, mas um anel. Vejo que trabalho tenho para ter com quem presentear o que me resta nos meus dedos. Pensava em dar aquela jóia de uma loja caríssima para minha mãe, pois há muito tempo ela não aparecia para me visitar, mas deixei minha vontade guardada para uma posteridade mais singular, um casamento talvez. Dormi na metade do filme, e mais uma vez esqueci de programar o televisor para se autodesligar.
Na manhã seguinte, enquanto preparava o café, comecei a ver vultos pela vidraça quebrada da minha cozinha. Uma mulher, uma senhora talvez, estaria perambulando pela minha propriedade dando risadas histéricas. Tive medo. Olhei novamente pelo vidro quebrado da janela e não constatei tal presença numa segunda vista. Deve ser a minha cabeça novamente me pregando uma peça, pensei. Liguei a tv. De repente, quando a programação parou - graças à falta de energia - pude notar as risadas vindas de fora de casa. Só poderia ser ela, rindo de minha vida medíocre e sabe-se-lá do quê mais, já que a cabeça de uma idosa perturbada não tem mais um grande discernimento do que é ou não correto.
_É mesmo, venha aqui, quero ver você adentrar a minha casa. Guardo um ninho de cobras e elas estão a sua espera, velha feiticeira, pode vir! Repetia baixinho em forma de mantra, enquanto ela resmungava e ria com mais força. Relaxei e tomei um chá com o nome de "boa noite", fui deitar.
No colchão, coloquei as cobertas sobre mim e fiz uma reza para que todo mal me esqueça, não tardou muito, mas de um modo estranho comecei a me coçar, parecia que acabava de adquirir uma sarna interminável, ou até mesmo que os insetos estavam dominando meus aposentos e me corroendo. Comecei a coçar o mais rápido possível e em um ato desesperado iniciei um movimento de mãos frenéticas, feito um beija flor a procura da próxima rosa. Meu irmão, que até então estava do meu lado na outra cama adormecido, acordou com o barulho estranho e viu toda aquela cena grotesca. Ele resolveu que era hora de partir daquela casa por algum tempo, segundo ele, estava me fazendo mal, segundo eu, amaldiçoada. Mas antes mesmo de deixar as decisões serem tomadas, me levantei e fui até o jardim constatar os fatos, se eram verdadeiros, se tinha mesmo uma senhora-bruxa-maquiavélica por lá.
Era uma manhã de domingo. O clima sombrio rodeava aquele lugar cercado por petúnias e temperos. Vi algumas cordas amarrando os galhos e percebi que pareciam feitas por couro de cobra. Será mesmo que aquela senhora que possuía o dom de atormentar minha mente havia colocado tais adornos naquela árvore? E por que segurar aqueles galhos com cordas de couro? Parecia algo impossível naquela região um culto de candomblé, de modo que se a velha propusera demarcar seu território com alguma mandinga não fazia o menor sentido. Atormentado estava eu, ainda mais quando vi duas cruzes fincadas perto dos tomateiros. De súbito deixei passar e disse a mim mesmo que tudo aquilo era fruto de minha imaginação. Cortei tudo o que era nocivo a minha mente, fazendo do jardim um lugar deserto, cheio de esperança e normalidade.
Voltei para dentro de casa muito exausto. Mas minha exaustão não era capaz de produzir sono. Então peguei o violão e fui até a varanda, onde comecei a tocar uma música improvisada em meio ao breu e ao sereno. A vizinhança não reclamou, mas isso fez meu irmão acordar e perguntar o que estava havendo comigo. Necessitava de um calmante, expliquei para ele, mas naquela hora nenhuma farmácia estaria aberta. Ele disse para me aquietar, que logo o dia nasceria e toda aquela neurose passaria batido. A noite chegou e mais um apagão apareceu. Comecei a ouvir vozes novamente. Elas riam de mim, me caçoavam e até mesmo me desafiavam a sair de casa e a enfrentar meus inimigos. Fiquei por horas balançando minha cabeça na cama- uma tentativa de me ninar que utilizo sempre quando estou tendo algum problema e a solução não é desembaçada.
Enfim mais um dia chegou, e eu não dormira aquela noite, minhas pílulas acabaram. Resolvi sair para o quintal e averiguar se algo estava diferente. Sim , e como estava. Dessa vez foram os pombos que começaram a me atacar. Sei muito bem que esta casa nunca foi dedetizada e que o serviço que cumpre tal desígnio não é satisfatório nessa cidade. Então dei meu jeito: Arrumei uma manta pra afugentar as aves, enquanto recolhia “os trabalhos de espírito” postos em meu quintal, mais uma vez. A mão que segurava a manta era girada quando algum pombo se aproximava, com a outra mão eu recolhia o material que se poderia dizer trabalho de macumba: duas cruzes perto dos tomateiros. Estariam elas representando minha morte e de meu irmão? Estaríamos nesse ponto da questão mortos e trancafiados para sempre naquela casa? Lembrei dos quadros em preto e branco que ilustravam nossa família - rosas murchas estavam na mesa de café e bilhetes antigos de festejos, tão antigos que eram empoeirados, todos dispostos em gavetas– tudo muito antiquado em pleno século XXI. Arranjei um lugar para colocar as mandingas: um terreiro/campo vazio que ficava a duas quadras da minha casa. Despachei as cruzes, as latas abertas de dois lados que pretendiam ser colocadas em meus punhos – dessa forma imaginava as torturas daquela terrível senhora - e os materiais para churrasco no qual cismei que eles seriam algo demoníaco. Fui até este terreiro com um pano na mão, desvencilhando dos pombos – estes pássaros moravam naquela casa, isto era um fato, e o centro de zoonoses da cidade jamais conseguiria retirá-los. Parecia que estavam empoleirados e fazendo filhotes por pura acomodação, a casa era antiga e propícia para o surgimento dessas aves. Saí para arejar a mente, em meio a possível ameaça de Pássaros Hitchcockianos fui parar em uma lagoa que fica há alguns metros de casa.
Foi lá que avistei quatro abutres circundando o céu. Sem pensar entrei na água de roupa e tudo. Estava precisando de uma sessão descarrego. Enquanto saía da lagoa o vento mudava de norte. Sentei para que minhas vestes secassem e notei que a movimentação das vitórias-régias vinham em minha direção. Sentia como se fosse um presente de Yemanjá, todo aquele verde se acumulando em minha direção. Estranhei o fato e saí dali rápido. Os abutres me rondavam. Tentava não pensar em morte ou coisa desse tipo, mas as circunstâncias não se faziam positivas para um dia desses. Foi então que as aves do necrotério se dissiparam, era um alívio para minha mente pesada. Voltei pra casa, para o meu refúgio amaldiçoado e por lá fiquei, até alguém se dar conta de mim. Não, estes abutres não estavam me circulando, não existia senhora alguma, cruzes, cobras, ataques de pombos e tudo mais. Eu era só, um louco sem o devido tratamento,em sua segunda loucura. 


quinta-feira, 4 de julho de 2013

Me concede o prazer dessa dança?

Olhávamos, não mais do que poucos segundos, as faces tímidas a girar pelo salão; depois chegava feito obsessão o ato irracional e nos olhávamos novamente. Fazia um sentido quase que de encaixe único aquele querer, aquele desejar ser o pé que carrega um par; nem mesmo os outros com seus movimentos espalhafatosos atrapalhavam nosso feeling, nosso ritmo era rico, tínhamos vocação para aquilo. Íris com íris, pé com pé, o encontro e o encaixe. A dança era em si perigosa - se atermos ao fato de que poderia ser pra vida toda. Bailemos então:


Hoje eu vou dançar num campo minado
e me assegurar de que tudo esteja armado
pra me ver passar um sufoco danado
Quem sabe vou pisar numa mina de fogo
e consumir minha alma num lançe de dado
Talvez eu caia em um poço de lodo
ou me salve com um simples passo irado
Inventando um "step" anti-agouro
Me tornando "o rei do gingado"

domingo, 30 de junho de 2013

transatântico

ah, como seria bom
ter você em meus braços
te sentir até o último suspiro
vai que num sonho você se apresente
e na realidade eu te tenha de presente
ah, como seria raro
ter-te em contratempos
em pestes negras
em pragas faraônicas
nos mais sangrentos desatinos
e noutra face contemplar tua beleza
ah, como seria intenso 
saber das tuas dobras
desafiar as tuas coxas
dominar as roxas camadas de tuas mucosas
abrir seus buracos com a "calma-ferocidade"
dos casais apaixonados
assimilar as noites com tuas luas
temperamentos que só a mim concederia
ah, como seria um escravo
um reles empregado de tua empresa
limparia todo o seu passado
as suas doenças, dores de amores mal quistos
colaboraria com tua felicidade
cortaria os pulsos dos incomodados
extrapolaria uma vida por ti
por sorte um diagnóstico
me traria a luz de minha patologia
e sem intimidade com a medicina, riria
pela falta de bom censo, pela crítica dos doutores
pois nada no mundo equivale a sua lira
nem mesmo uma rima rica
nenhum texto seria capaz de descrever-te
nenhum delírio onírico
desculpe meu eu-lírico pobre
nenhum nobre seria capaz de conter-te
por isso me atento a minha insignificância,
não tenho palavras, nem mesmo elegância
ah, como seria raro
nosso encontro noutro cosmos
outras vidas te completam, eu sei
seria mesmo um deus
uma força maligna
que controlaria este meu estado?
poderia arrancar minha pele
extrair meus dentes
tirar minha casa, meu sustento
mas nunca deixar-me sem teu perfume
nessa minha perspectiva de ser
sua atenção eterna e aventura
acelerada e inconsequente
ah, como seria bom 
se fosse tua minha vida
e se tudo fosse esquecido
nossos desentendimentos
que nunca foram entendidos
assim por ti me arrisco
imerso no teu transatlântico
me atiro sem aviso
assim por ti sobrevivo