sábado, 9 de outubro de 2010
Acertando os ponteiros
sábado, 2 de outubro de 2010
A flor desabrochou a noite
Um bar danceteria carioca e o fim de semana esperado. A confirmação de que ainda estou vivo e que possuo lábia. O “sim” de uma garota. O convite aceito. O amigo “vela”, porém o necessário para uma boa conversa. Um amistoso diria, sem mais idéias sobre futebol. Um amistoso social.
O “chop” quente e o batom vermelho da caça, sempre cheios. Retoques e doses de brilho. A linguagem dissimulada com a presença do perfume feminino, perfume caro e intenso. A mulher enfeitava a mesa. Era uma mulher cravejada de sonhos onerosos, esperta e perigosa, com a língua afiada. Capaz de retirar boa parte da conta bancária do sujeito desavisado em um só dia. Uma sereia. E eu hipnotizado, a sua presa.
A vela, que mais parecia um castor, estava armando uma casa, utilizando-se de troncos roubados na represa que se fez o diálogo. Meu diálogo ingênuo e pobre era descartado ou incrementado, dando vantagem ao ouvinte vela, agora ativo einterlocutor e aceso, alias, em rubras chamas.
Já não sabia mais o meu papel? Chamei quem? Se ela, a caça, era um peixe e tanto. Eu não seria um caçador? Minhas habilidades estavam comprometidas naquele ambiente hostil: Pessoas conversando, tudo tão real e ao acaso. Nada combinado. A não ser as músicas repetidas de sempre. Fora isso, imperava as idéias malucas de Darwin, o mais forte sobrevive, o mais forte janta mais tarde. Ah, se eu fosse o peixe, um tubarão denteado. Só assim seria mais fiel ao que penso: todos ali, sardinhas expostas no mercado. Crias suculentas à mostra, em posição de festa e socialização. Troféus à deriva.
Contratos sexuais, novos alcoólicos, novos casais...e eu ali. O antigo, o quadrado do triângulo amoroso. Seria até possível caber o certificado de negação ao óbvio, seria admirável da minha parte achar que o correto era o improvável: de que eu sairia ganhando. E quando eu merecera a vitória? Quando passei a ser o escolhido? Vai ver era um sintoma pré-psicótico. Sempre fui o pré em tudo. Previsível predestinado a ultima prece.
Levantei sem mais palavras, sem discursos e sem ações, emudecido. Vou-me embora frio, como quem esquecera o agasalho em casa. Pude ouvir a última música, a música pobre e infeliz, dentre todas as músicas repetidas que tocaram na minha cabeça, música de cabaré. Eu estava num cabaré.
"Eu tô calmo
Bem a pampa
Desconta o álcool
Da minha conta
Ela não quer ir comigo
Ela quer aquele amigo
Que não é mais meu
Danem-se os dois
Então saio, bolso cheio
Miro na preta
Babo no seio
Desce o salto
Tô com dinheiro
Abriu-se a flor
À meia luz
E cheiro costumeiro
Abriu-se a flor
À meia luz e cheiro
Noite feliz...( pra mim)
Pra mim você e seu parceiro
A barracuda e o castor
Não sabem como é ser feliz
Dormi do lado de uma flor"
Cumpri a música e senti um gosto de primavera no outro dia.
sábado, 25 de setembro de 2010
Pedagógico
Ofereceu por educação, e por educação aceitei. A batata estava ótima, por educação, joguei a embalagem no lixo. O mendigo agarrou os restos de salgado que deixei, e por educação, agradeceu a Deus. Como sou educado, dei alguns trocados para que ele comprasse o que quisesse, fazendo o pobre rapaz sorrir um obrigado.
Enquanto isso, do outro lado da rua, garotos assaltavam a Educadora de creche. O policial advertiu os garotos, dizendo educadamente que eles eram bandidos. Instantaneamente, os moleques tentaram fugir, mas como possuíam pernas educadas foram abruptamente capturados pelo policial, educado a correr ligeiro. Foram então escoltados até seus pais, os educadores do lar, que por educação, deram uma boa surra como castigo adequado. Depois de uma semana sem vídeo-game, os garotos pediram desculpas educadas a Educadora, e juraram ao policial obediência a lei. Receberam o beijo de aval dos pais e foram brincar educadamente com seus jogos de violência.
O ambiente vil da favela fez com que o policial se distanciasse de casa. Uma chamada anônima, totalmente deselegante, foi um gesto importante para o policial apreender o traficante com o maior educandário de assassinos da cidade. Enaltecido, o policial recebe prêmio pelo grande feito, além de ser promovido para educar a nova patrulha inexperiente. O bandido terá direito à prisão executiva, devido a conter curso superior completo.
O sino bateu. A Educadora fumava educadamente na hora do recreio, longe dos seus estudantes, que em sinal de educação se posicionavam em fila para receber a merenda. Satisfeitos, os alunos deixavam educadamente os pratos sujos para que as lavadeiras fizessem o seu serviço. As crianças aprendiam brincadeiras com as estagiárias não-remuneradas, que foram orientadas a tratar com educação cada infante daquela rica instituição. De volta à sala, a Educadora ensinava com maestria, mostrando toda a excelência em educação que conquistou durante sua faculdade de Pedagogia.
sábado, 18 de setembro de 2010
Arrotos elegantes: "Plantão"
" Esse topete Tander Kate
blusa de onça perigosa
faz sucesso, é deleite
aproveite enquanto é moda
tudo moda, tudo muda, tudo moda
Marionete de beleza
esteriótipo de sobra
sombreiro na cuca
estampa maluca
prazer, senhora moda"
_Boa noite “alfaiateiros” de plantão. O programa de hoje será escultural!
Vamos aprender a perder peso com a renomada nutricionista e modelo Edca Fibra. Joaquim Couro irá demonstrar novas técnicas para a obtenção de seda fina a partir de trapos, vale a pena ficar ligadinho aqui, a matéria está um “lu-xo”. E agora, fique com o desfile de unhas comestíveis do inoxidável cozinheiro e estilista Pedro Pinça:
(aplausos entusiasmados)
Mulheres exuberantes exibiam unhas de vários sabores e estilos, a medida que Pinça explanava a importância dos alimentos queratinizados. Moças de unhas doces e salgadas, mostravam de forma insistente o novo esmalte nutricional, chupavam os dedos e lambiam os beiços como planejado. Fêmeas insinuantes que fizeram o ibope do programa dobrar, ficando “Tander Kate” praticamente empatada com o programa “Canto Animal” da rede Ωζ-ρ.
(um aperto de botão)
:
(aplausos)
_E esse foi o canto de Geraldo, a gralha mais famosa da América Latina.
Engasgado, o pobre animal sai ultrajado com sua participação naquele canal de televisão. “Puseram-me um loro como maestro. Reclamarei com o sindicato das aves, estão de palhaçada com a minha espécie”- Foi o que grasnou o pássaro no camarim aos dirigentes da emissora.
Interrompemos nossa programação para o pronunciamento do excelentíssimo senhor Iluminado Lampião da Luz:
Não, eu não enlouqueci, ainda. Isto é apenas uma brincadeira, eu jam...
(os telespectadores ficam atentos, mas nem todos notam que em meio a tantos “blablás” surge, em uma fração mínima de segundo, imponente, a figura arrebatadora de Aninha, em ritual de sacrifício, [Subliminar? Não, não mesmo, recortei a pedido da própria, que quer fazer sucesso de novo] ficando à margem do anonimato)
...Queria agradecer a todos que me prestigiam. Ao querido Saulo Taveira do espaço "Partitura", que declamou de forma brilhante alguns versos simples que escrevi, para quem quiser conferir é só clicar: http://minhavozmeucaminho.blogspot.com/2010/09/cotidiano.html .
Obrigado também a você que me visi...
(Bater de palmas)
_Não está escutando eu te chamar menino, o almoço está pronto,você vai perder o horário do colégio.
_Calma mãe, o programa já está terminando.
_ Vê se não vai demorar nessa besteira, seu preguiçoso.
... e que bláblábláblábláblá. Fique agora com a programação normal.
"Arrotos elegantes, há 15 anos na sua Tv, arrotando em você"
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Olhar Digital
Os adolescentes de hoje vivem na era da expansão das mídias, da experiência digital, a alavanca para os criativos. Compor ficou mais fácil, o imprescindível ingrediente é a originalidade, pelo menos é o que parece ser para sustentar o pilar artístico: o instinto. Creio que a arte de fotografar, mesmo sendo uma forma de registro, também pode ser atemporal, ir do trágico ao lúdico, conter e expressar uma gama de sentimentos, intrigar quem visualiza, assim como representar o olhar do fotógrafo dando espaço a critica de sua percepção.
Bom, sem mais delongas, as fotos:
Boa semana pra todos!