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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Carne Fraca


Recomponha-se
Você costumava ser mais forte do que eu imaginava
Agora olhe a sua volta
Você não é nada do que aparentava ser
É apenas carne fraca embrulhada num tecido
Corroído pelas enzimas do tempo, desvalido
Comece a fazer um bom enredo
Pois quando estiver no chão, doente
Ninguém estará por você
Você é estático demais pra morrer
Você é sintético demais pra viver
Tenha um pingo de amor próprio, levante
Ainda há chance de se erguer

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Oásis



Talvez

Eu te vista de dourado com esmeraldas e rubis

Completamente iluminado

Mas desta vez

Serás somente aprumado com singelos agrados

Ficará sem o céu molhado, com o ar na boca, seco

Mais uma vez

És ouro líquido, na areia do deserto

O Oásis mais desejado

Que menos escolhe os súditos sedentos

Que mais acolhe os reis saciados

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Ócio



Se conquistas viessem de graça, não seriam conquistas, seriam presentes.
E presentes não têm graça por justamente existir a graça.
Imagino que aqueles que esperam por presentes são como estátuas.
Pela imobilidade? Nem tanto.
Por perderem a graça.


Stéfano Pires.

domingo, 25 de outubro de 2009

Ausência Instável


Se todo tempo leva o segundo
Se todo sol esconde um poente
Na lista de presença do dia
Ainda que na ida chegasse
Em cera com um lápis contorno
Em cada letra encontro sentido
Emendo uma parte distante
De tudo que é visto nos olhos
De tudo que é dito profundo
De nada serve o vício seguinte
Domado pela ira presente
Por meio de um livro sagrado
Aponto a direção para o norte
No corpo que não cessa a fundo
Careço de um copo comigo
Comida roedor de um pedaço
Misturo massa, carne moída
No meio por ausência instável


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Sonho acordado


Hoje eu sonhei acordado
E uma linda manhã me espera lá fora
Carente de sol e com sede de chuva
Eu devia estar dormindo e não percebi
Minha família toda ali em um eterno domingo
A bicicleta recostada e enferrujada pedindo pra ser pedalada
O passarinho que piava mesmo preso na gaiola, ele ainda cantava
A cidade ainda que degradada sorria em anúncios de papel
Os bilhetes premiados cheios de vícios, os números de esperança
Sonhei com a pessoa amada e em qual hora ela me esperava
Servia-me dos amores perfeitos
Largados nas esquinas da rua dos desejos
Eu fechei os olhos para ver o sol e me sentir mais vermelho
E mesmo de olhos fechados eu me enxergava em rubra visão
Hoje eu acordei vermelho, vermelho de paixão
E não há espelho que reflita ou consiga imitar tal ação
Hoje eu sonho acordado