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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Sem Aviso

No começo veio a fumaça
Mas não me importei com isso
Eu fechei a janela
E fingi que não era comigo

Queria invadir minha casa
Mas eu fechei a porta
E acendi um incenso
Pra mascarar o cheiro cinza

Depois vieram as cinzas
Pretas e esfareladas
Como pragas de outono

Não me importando
Eu varri o chão
Pra elas não voltarem
E o tapete de boas vindas
Pra elas se tocarem

Não satisfeito
Eu fechei os poros da minha casa
De modo que agora não entre ninguém sem ser convidado

Sem aviso
O fogo tomou a propriedade
E tudo o que nela havia
Consumindo todos os meus pertences
Criando fumaça
Adotando cinza

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Relato de um cão sem dono

Tudo começou com um encanto casual
Eu não te achei importante, você muito menos
Você me tomou num gole só
Abafou meus gritos pra ninguém escutar
E disse: "Você agora é meu"
Como uma presa qualquer
Um alguém a calhar
Aceitei tal afirmação
E passei a seguir teus passos
Foram dias de sol
Muitos dias de sol
Que espero voltar

Tudo terminou com um encontro casual
Eu te achei importante, você não mais
Você me largou num beco, só
Confirmou na música "não tenha medo"
E disse: "Eu vou te deixar"
Como um bicho qualquer
Que ninguém quer cuidar
Aceitei tal afirmação
E passei a seguir sem rumo
E são dias sem sol
Muitos dias sem fim
Que espero acabar

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Traços

Está em Felline
Al Pacino
Almodóvar
Nos gritos de Sarah
Mudanças de Paula
Na fúria de Elis

Pavor de Vinícius
Valor de Picasso
Na voz de Adriana

Na mesa de Amélia
Anseios de Pâmela
Beleza de Luma
Na gana de Gates
No olhar LaChappelle
No riso de Chaplin
Nos punhos de Tyson
Nas mãos de Chico

Na mente de Hitler
Idéias de Einstein
Questões de Wilian
Na dor de Renato
No amor de Roberto
Nas letras de Rita
Canções de Agenor
Nos sonhos de Nara

Recado para n. reis

Você sabe cantar um poema
Você finge, você diz o verso
Você fala baixo
Finge que não tem vontade
Você chega tarde
Finge não querer
Não se importar
Ao que a voz tem pra dizer
Finge não saber
Provoca um pigarro
Pra quê?
Cadê você
Pra apagar meu cigarro?
Cadê você
Pra acender o meu fogo?
Estou esperando
Está ocupado?

(Iluminado, Pavoroso)

domingo, 9 de maio de 2010

O lado sombrio do Iluminado

Onde está a heresia?
A meretriz dentro dessa frase

O peso jamais alcançado
O vestido surrado, o acre

Onde está o meu erro?
O seu medo é impasse?
Ou é tarde, sempre é tarde

Testo esse texto
Compro essa briga
Canto essa parte

Onde está a minha arte?

Tomo esse gole
Bebo esse sangue
Uso esse vício
Entro, me interno
Me abrigo
Nesse asilo
Nesse inferno


(Iluminado, Pavoroso)