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domingo, 12 de junho de 2011

Visitas inesperadas


História com três personagens:
M- Marcos
P- Procópio
L- Lúcia

Cenário: Um quarto com um computador, uma cadeira e uma caixa.


Marcos, um jovem rapaz, estava inquieto andando pelo quarto; até que ele ouve um barulho de alerta no computador e senta-se para averiguar. Ele digita por alguns segundos , enquanto expressa felicidade.

Procópio, seu irmão mais velho entra no quarto sem bater.

P- Vai ficar sentado até quando? (sarcastico)
M- (gargalhando)
P- (cutucando Marcos) Marcos?
M- (furioso) O que é?
P- Preciso dar uma olhada em uns e-mails.
M- (gargalhando)
P- (cutuca marcos)
M- (irritado) ME DEIXA!
P- Do que está rindo, posso saber?
M- (vira a tela do computador pro lado de Procópio)
P- ( espia e dá uma longa gargalhada)
M- (triste) Está vendo? São todas iguais!
P-(para de gargalhar e diz) não fique triste,irmãozinho, ela não sabe o que está perdendo.
M- ( irritado, esfregando as mãos na cabeça) Ela me paga, ela me paga ,ela me paga...
P- (consolando Marcos) Não tome decisões nesse estado, meu caro; ela virá e assim vocês se acertam.
M- (se levanta, discutindo) Ela não é uma mulher, é uma criança mimada, todas elas, sugadoras , quando menos se espera acontece um bote, víboras, cascavéis que agem pelas costas, isto é o que são: bonecas.

Nesse momento surge da caixa Lúcia:

L- Posso sair?
(Os dois ficam calados)
L- (saindo, meiga e olhando para Marcos) Oi meu thuthurucozinho!
M- (vira a cara)
L- Te trouxe um bombom, você quer?
P- Eu quero! ( toma da mão de Lúcia)
L- (cínica) Você... você continua o mesmo. E você, (se aproximando de Marcos), você mudou, mudou tanto que já nem lembro de quando foi a última vez que me elogiou.
M- (furioso) Não quero papo contigo!
L- (sarcástica) Ah é? não quer papo comigo?! Sou eu e esse seu computador, eu ele, que mais te damos atenção, lembra da última mensagem que eu te mandei?
M- (pegando um papel do bolso e lendo em voz alta, mecanicamente) "Oi amor, como vai? minha noite está fria sem você, saudades"
L- (falando com doçura)Saudades...
M- (não compreendendo)Isso foi há três dias! TRÊS DIAS! Fora isso você não me escreveu mais nada.
P- (interrompendo) Pare de ser egoísta irmãozinho, ela ainda te quer?
M-(se virando para Lúcia) Você ainda me quer?
L- (sorrindo) Eu ainda te quero!
P- (interrompendo) Mas eu acho que ela merece um castigo.
M- (assustada) Um castigo?
P-(se justificando) Um castigo. Um dano ou seja lá o que for, pra provar esse amor, esse amor-mensagem de três dias, cibernético, e frio...
L- (discutindo)Quem é você para falar do meu amor; você é um intruso nessa história, que não tem nada a ver comigo e meu thucorucozinho!
M- (virando-se para Procópio, indagativo) Que tipo de castigo estamos falando?
L- (sentencioso, em coro)
'A forca para os assassinos,
as pedras para os adúlteros,
para as gralhas a rouquidão,
nos céus de outubro,
e para esta que o procura,
somente por estima,
eu proponho que ela passe,
De boneca à menina'
L- (asssutada) você só pode estar ficando maluco, meu thucoruco jamais faria tamanha selvageria !
M- (anda pelo cenário por alguns instantes e intui conclusivo) Acho justo.
P- (concordando) Justíssimo!
L- (confusa) Amor, porquê?
M- (explicativo, acariciando Lúcia) Eu sei que parece estranho, mas é inverno, e é tempo de você mudar, fortalecer o nosso sentimento, e só dessa maneira, meu amor, só assim, você provaria o que me disse; só assim você seria diferente de todas as outras entende?
P- (com ironia) das outras que são outras.
L- (se desvencilhando de Marcos) Não estou te entendendo ... Ah, por favor garotos, qual foi a última prova de amor que vocês me fizeram?
M- Te esperar todos esses dias...
L- (completando Marcos, em tom de discussão) Você demorou sair da caixa...
M- Aguardar o momento certo...
P- E você apareceu!
L- (emburrada apontando o dedo pra Procópio) Você não conta. Não faz parte dessa história, já disse.
P- Se diz, não me intrometo (vira-se e fica de costas)
L- (curiosa, se virando para Marcos) Você não procurou ninguém?
M- (debochativo)Você não acredita em mim se eu disser que sim.

L- (deduzindo)É...você não é do tipo que vai a festas.
P- (vira-se pra frente e diz) Não contigo.
M- Não começa.
L-(alegre) Estou com sono!

Nesse momento Procópio e Marcos dão corda em Lúcia,que começa a andar pelo cenário feito uma boneca, até que Lúcia retorna devagar para a caixa.

M- Boa menina!

Surge novamente um barulho de alerta no computador.

P- (feliz)Agora é minha vez!

Procópio senta-se na cadeira em frente ao computador, e fica digitando e gargalhando.
M- Vai ficar sentado até quando? (sarcastico)
P- (gargalhando)
M- (cutucando Procópio) Procópio?
P- (furioso) O que é?
M- Preciso dar uma olhada em uns e-mails.
P- (gargalhando)
M- (cutuca Procópio)
P- (irritado) ME DEIXA!
M- Do que está rindo, posso saber?
P- (vira a tela do computador pro lado de Marcos)
M- ( espia e dá uma longa gargalhada)
P- (feliz) Está vendo? São todas iguais!
M- (feliz) Ainda bem!

As luzes lentamente se apagam e a cortina fecha.


quinta-feira, 9 de junho de 2011

Dígrafos

Acha? Já eu tenho certeza das suas maluquices; as minhas? Estão nos seus olhos, nas suas dúvidas banais, do quanto éramos diferentes, almas dispostas em choque, pilotos inconscientes na contramão, fogos de artifício falhos e errantes, meninos famintos jogando bafo na esquina do crack, filhotes amestrados aprendendo a sucumbir tarefas, estrangeiros estranhos em lugares distantes, nascidos para o aplauso da massa crítica, aceitando cinicamente o teatro imposto pelo riso, pelo gosto do gesto, da hipocrisia documental do homem, do crivo social, da prática molde partidária, das preces urgentes, dos que gritam de dor e não são ouvidos, esgotados pela velhice do sistema de saúde, dos impostores que ganham dinheiro nos cassinos, dos impostos controlados pela empresa, da mídia que pintou a sua cara morta, maliciosa e fútil, da beleza cosmética dos estandartes, digna de lavagem e tomates podres, dos esqueletos padronizados pelo sistema estético, implantados em comerciais, em vitrines de loja, nos holofotes , nos palcos e nas platéias, na precariedade dos traços à lápis, sem idéia fixa, primitivos e amorfos, mal publicados, carcomidos pelo tempo, pela beleza do primeiro encontro na colheita amarga e sertaneja, pela falta de chuva, de esgoto, pela sede de água doce, pelos suores das praias, dos atos sexuais e pueris esfriando as carnes e desinibindo a banda, pela classe que cantava errado esquecida no jingle previsível e chato, de caráter ressonante e dígrafo.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Os melhores de 3030

‘De pé’, uma sátira de Zertst Magnkakt ,curta pós-moderno que procura identificar as principais diferenças e relevâncias de uma determinada população que possuía pernas para a locomoção na Terra.

“Agora retome sua pose algoz”, filme de Bersfucone , sátira diferencia características do homem fiel em contradição ao senso feminista.

“Seu pé fétido sabe contemplar o chão”, O cineasta Ton Sculack mais uma vez surpreende tecnoespectadores ao realizar a terceira punção de zirgomônio, composto capaz de destruir nosso planeta.

“Óh, poderoso chão, nutra-me com sua força”, Gaia III, a deusa afirma este ser um de seus melhores musicais.

‘Por afirmares, contemplado’ , Kistron Lummer, documentário sobre o multimilionário que criou a tecnologia que permitia a desconexão da realidade.

‘Poluirei suas benditas ventosas’, Mina Prim volta com nova peça infantil em que prega a imortalidade.

‘Até que encontre o senhor salário’, documentário de Naft flut’h, afirma sobre o choque capitalista em relação às mudanças ocorridas pós acordo de entrega salarial, com registros factuais.

‘O melhor militante das praças’, os gêmeos Agkof e Mifnat Rrafiif apresentam novo sistema para quebra interpessoal , filmado em playourself , restrito para menores.

‘‘Aquele mesmo’, ‘dos anjos’’, Jia Kia, cineasta, apresenta sua obra-prima desvendando os mistérios das imagens celestes.

“Noutra margem visita a dama”, Tezcatlipoca, reprise do único romance documental asteca.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

No que você pensa segundos antes de sair numa foto?

Eu não posso me mexer porque qualquer movimento que eu possa fazer vai ativar o sensor que está na caixinha de fósforo da bolsa da minha mãe, portanto quando ela for acender o fósforo para queimar o cadáver do meu pai, um sistema eletrônico sensível ao fósforo criado por cientistas da NASA irá detonar a caixinha de fósforo matando minha mãe, que possui sensores anti-bombas localizados no ouvido interno, e estes, uma vez acionados, enviarão uma mensagem-senha para ativar o botão de autodestruição deste laboratório, fazendo com que reste pouco tempo para sairmos vivos daqui.

domingo, 24 de abril de 2011

Veio

Veio

Veio pra ficar aqui

Veio para senso, pra datar

Veio para dentro,pra tirar a sede

Desde que a rede é pra deitar

Veio assim pra ficar comigo

Me diz como chegaria se não fosse por e-mail?

Não sei se existiria se não fosse o correio

Veio para ler a mente

Veio assim doente, pra sujar

Veio pra essa gente se curar

Veio pra acalmar o prepotente

Que não sabe nada de amar

Veio pra fazer amor

Pra curar a dor de quem tem medo

Veio desmontável, um brinquedo

Veio por imagem imaginária

Veio por arquivo temporário

Com data marcada em calendário

Veio pra fazer todo universo

Se sentir mais longe e disperso

Veio pra mudar toda idéia

Veio pra sanar toda matéria

Como areia negra de luar

Veio pra ficar